Notícias

Nota de Esclarecimento Qualidade da Água do Poço Artesiano de Linha Jaboticaba

12/março/2020 - 16:31

            Na tarde do último dia 17 de fevereiro, foi realizada uma coleta de água bruta diretamente na saída do poço artesiano de Linha Jaboticaba, após o descarte do que estava depositado na tubulação. Para tanto, foram enviados 2 litros de água ao Laboratório da UPF - Universidade de Passo Fundo, afim de identificar possíveis causas do cheiro e gosto desagradáveis referidos por diversos moradores da comunidade. Tal análise teve um custo de R$ 634,00 e foi paga com recursos da Vigilância em Saúde. Salientamos que na data da coleta as condições climáticas eram favoráveis, ou seja, não havia chovido intensamente nos dias anteriores, como em outras situações, que resultaram em contaminações. 

               Segundo o resultado da análise, a maioria dos minerais existente no subsolo está também presente na água, porém em quantias mínimas, quase insignificantes, muito abaixo do “Valor Máximo Permito”, ou seja, quantidades normais e aceitáveis segundo a Legislação do Ministério da Saúde. Deste modo, não causam problemas à saúde e nem são capazes de provocar aspecto de água suja, gosto ou cheiros desagradáveis. A diversidade de minerais (flúor, cloretos, nitratos, cloretos, cálcio, magnésio, potássio, carbonatos, etc ) são os agentes responsáveis pelo acúmulo à longo prazo de “crostas” em chaleiras, chuveiros, vasos sanitários, etc. Porém nos quantitativos identificados, não são prejudiciais à saúde.

              O único parâmetro identificado acima do recomendável, é o pH da água, (pH significa potencial hidrogeniônico - quantidade de prótons H+, que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um líquido). No caso deste poço artesiano, o pH é naturalmente mais elevado, identificado nesta análise em 9,89. Porém eventualmente pode atingir até 11. Esse fenômeno ocorre em diversas regiões do município e está ligado a topografia do relevo, por exemplo, o tipo de subsolo e rochas em que está o ponto de captação de água, que sofrendo alterações conforme mudanças climáticas. Por exemplo: períodos de tempo seco seguidos de chuvas intensas, mudanças bruscas de temperatura, entre outros fatores. Águas com pH  6 ou abaixo disso são ácidas (quase não encontradas na região); pH em torno de 7 a 8 significa neutralidade, ou seja, água com consistência normal, comum em águas mais superficiais (como fontes e vertentes naturais) e poços artesianos menos profundos. Já as águas com pH elevado, como ocorre intensamente em Linha Jaboticaba, nos poços da Cidade Baixa e do Loteamento Pôr do Sol, eventualmente na Linha Lageado, Graff,  Knob e demais comunidades em menor grau, são ÁGUAS ALCALINAS.  Podem conter também presença de vários tipos de minerais, porém dentro dos padrões normais de potabilidade (exceção ao Poço de Linha Cachoerinha, que apresenta resíduos escuros visíveis e precisa de tratamento específico).

               O pH elevado altera a consistência da água, tornando a mesma viscosa, como dito na linguagem popular:  "parece que tem detergente", "água lisa, ensaboada". Com a adição de cloro, e existindo matéria orgânica (limo, sujeira) aderida nas tubulações, caixas d’água, o odor e o paladar podem levemente sofrer algumas alterações desagradáveis, porém o consumo da água nestas condições NÃO É PREJUDICIAL À SAÚDE. Podemos usar como exemplo o consumo de refrigerantes ou sucos industrializados, bebidas ácidas que em grandes quantidades e consumidas com frequência podem causar diversas complicações ao organismo. Já a água com teor alcalino é exatamente ao contrário, não provoca problemas estomacais, câncer ou qualquer outro distúrbio, ao contrário, pode até ser benéfica ao organismo humano, segundo pesquisas científicas (informações que podem ser verificadas até pela internet).

              Importante também salientar que a água bruta não apresentou nenhum tipo de contaminação por bactérias (coliformes totais e Escherichia coli) passíveis de causar distúrbios gastrointestinais, como surtos de diarreia. Isso significa que o poço possui um revestimento (encamisamento interno do poço) de 18 metros de profundidade, o que dificulta a penetração de fezes de animais no poço, por exemplo, motivo que causa preocupação em algumas pessoas devido à criação de animais (bovinos e suínos) nas proximidades do ponto de captação de água.

               No entanto, como em outras análises realizadas após períodos intensamente chuvosos, (épocas em que choveu a ponto de “abrir olhos d’água nas lavouras”) houve contaminação por bactérias, alterações na cor e turbidez da água, a ADIÇÃO DE CLORO se torna essencial para evitar a propagação de doenças, uma vez que o produto “mata” as bactérias que possam contaminar a água. Portanto, mesmo que em condições de tempo bom o poço não apresente contaminações, sempre existe a possibilidade de rompimento de tubulações, acúmulo de sujeira nos canos, nas caixas d’água ou estas estarem destampadas, além de “enchentes imprevisíveis”. Por estes motivos, do mesmo modo que um hipertenso toma medicação para não sofrer um infarto, o cloro adicionado à água serve para evitar o surgimento de doenças causadas pelo consumo de água contaminada, mesmo essa pareça estar limpa.

             Cabe salientar que as dosagens de cloro utilizadas na maioria dos poços artesianos são baixas, cerca de 30% do que a CORSAM utiliza ao tratar águas de rios, por exemplo. Portanto, o cloro adicionado à agua em pequenas quantidades também não causa nenhum problema de saúde, embora algumas pessoas tenham uma sensibilidade maior e sintam gosto e cheiro semelhante à K’boa. O uso de filtros, a fervura, colocar a água em repouso na geladeira ajudam a reduzir essas características. Este eventual gosto de modo algum provoca gastrite, alergias, náuseas, dor de cabeça ou demais problemas já referidos pelas pessoas. Toda e qualquer doença deve ser investigada por um médico antes de se afirmar que a água é a responsável pelo desconforto físico. O uso de filtros, a fervura, colocar a água em repouso na geladeira ajudam a reduzir o odor e paladar do cloro, mais perceptível logo após a saída do tratamento e nas pontas de rede.

             Neste sentido, no Setor de Vigilância Sanitária estão disponíveis todas as análises de água já realizadas nesta e nas demais comunidades, pelo Laboratório do Estado, pela Empresa que realizada a cloração (consultar LICS Superágua pela internet). Salientamos que existem dosadores específicos que reduzem o pH da água, porém de alto custo e deve ser analisado o fato de que tal parâmetro não causa malefícios à saúde, por isso a sua implantação é opcional, dependendo do nível de insatisfação dos consumidores. O que é obrigação legal por parte da Administração Pública é a DESINFECÇÃO da água para consumo humano, ou seja, a adição de cloro, somente.

             Estamos à disposição para qualquer esclarecimento adicional que as Associações de Água e a população em geral julgar necessário.

Vigilância Sanitária Municipal.

FOTOS

O seu navegador está desatualizado!

Atualize o seu navegador para ter uma melhor experiência e visualização deste site. Atualize o seu navegador agora

×